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Análise de Conjuntura 1º Trimestre de 2010

 

Síntese da Conjuntura

 

Sector Eléctrico e Electrónico

 

1º trimestre de 2010

 

Sinais de melhoria no mercado externo.

 

1.     Conjuntura Económica

 

1.1   Volume de Negócios

 

 

Volume de Negócios

1º trim.

2010

2ºtrim.

2010

Mercado Português

3,0

3,0

Mercado  Externo

3,2

3,2

 

Terá havido alguma recuperação do nível de actividade no 1º trimestre deste ano, com maior expressão no mercado externo. A previsão para o 2º trimestre de 2010 aponta para a manutenção dessa situação. Esta melhoria estará ligada à melhoria da conjuntura europeia, de que se destaca a retoma no mercado automóvel (incentivos públicos à troca de carros velhos por novos).

 

 

1.2    Carteira de Encomendas

 

A Carteira de Encomendas mostra evolução semelhante à do Volume de Negócios, mas a previsão a curto – prazo, mostra apenas tendência para melhoria no mercado externo.

 

Carteira de Encomendas

1º trim. 2010

2º trim.

2010

Mercado Português

3,0

2,9

Mercado Externo

3,0

3,2

 

 

1.3    Emprego

 

A estabilidade no Emprego Qualificado e Não Qualificado parece ser a tónica.

 

 

Emprego

3º trim.

4º trim.

Qualificado

3,0

3,0

Não Qualificado

3,1

3,0

 

 

 

1.4    Propensão ao Investimento

 

 

Investimento

1º trim.

2010

2º trim.

2010

Propensão a investir

2,6

3,1

 

Propensão a Investir com tendência de subida no 2º trimestre, mas o nível atingido no 1º é inferior às expectativas.

 

1.5    Situação Financeira

 

 

Indicadores

1º trim. 2010

2º trim.

2010

Tesouraria/Liquidez

3,3

3,4

Dívidas de Clientes privados

2,9

3,0

Dívidas Estado e Sector Público

2,6

2,5

Acesso ao crédito

3,2

3,3

Custo do crédito

2,8

2,9

Seguro Crédito à Exportação

        2,5

2,3

 

 

As Dívidas de Clientes Privados e das Dívidas do Estado e Sector Público são os indicadores financeiros com resultados abaixo do normal, indiciando algumas dificuldades de cobrança. A Tesouraria/Liquidez e o Acesso ao Crédito estão dentro de parâmetros de normalidade, enquanto o Custo do Crédito continua abaixo da normalidade. Dado o elevado grau de endividamento Privado e Público, podemos antever uma situação futura de agravamento deste indicador. Já o Seguro de Crédito à Exportação continua com fraca procura.

 

1.6    QREN

 

QREN

1º trim.

2010

2º trim.

2010

Aprovação de projectos

2,7

2,8

Pagamento de comparticipações

2,8

3,0

 

Os indicadores de candidatura ao QREN continuam abaixo do normal. O que indicia que as intenções de investimento continuam baixas, o que é explicável pela conjuntura medíocre com que o Sector se defronta. Este indicador continua contraditório com o da propensão a investir que dá sinais de normalidade, ou mesmo de melhoria. Os investimentos a submeter a apoios do QREN terão de ser projectos completos, integrados, e têm de possuir características nítidas de inovação de produtos e processos, não são investimentos correntes de substituição, que normalmente as empresas financiam com recursos próprios. Existe também um estrato significativo de empresas que não recorre ao QREN para realizar os seus investimentos.

 

***

Desenha-se alguma melhoria na conjuntura económica do Sector Eléctrico e Electrónico. O mercado externo estará a actuar como o principal catalisador. Não podemos esquecer no entanto que o Sector se defrontou com uma quebra real da Procura externa superior a 30%, em 2009. No segundo semestre de 2009, na Europa, começaram a produzir efeitos as medidas (fiscais, monetárias e financeiras) de apoio à procura que os Estados Membros da U E implementaram a partir de Abril desse ano. Foram particularmente eficazes na recuperação da procura de Automóveis, com efeitos significativos a montante, na produção de componentes eléctricos e electrónicos para automóveis. Outra componente importante da procura está a ser a reposição de Stocks. Em todo o ano de 2009 registou-se forte destockagem por parte do segmento Distribuição/Comércio a Retalho com impacto negativo forte na Produção (Indústria)

 

Os números disponíveis do INE, no que respeita à Exportação, confirmam a melhoria da conjuntura internacional:

·        A Exportação (Capítulo 85) – representa cerca de 90% do total de equipamento eléctrico e electrónico exportado -  nos primeiros dois meses de 2010 aumentou 11% em termos nominais, face a igual período de 2009. Estando longe ainda de poder embandeirar em arco, pois a exportação no ano de 2009 caiu 37% face a 2008, saúda-se esta melhoria da procura externa.

·        Outro indicador da evolução da actividade do Sector é o Índice da Produção Industrial, que mostra nos primeiros 3 meses de 2010 um crescimento de 9% face a período homólogo do ano anterior. Como o crescimento do Índice (que tem especial incidência nos meses de Fevereiro e Março) é inferior ao da Exportação, isso parece comprovar que serão os segmentos exportadores que estão a dinamizar o Sector Eléctrico e Electrónico.

 

 

2. Conjuntura Económica Portuguesa

 

O Banco de Portugal publicou as suas previsões da Primavera de 2010, revendo as suas anteriores projecções para a Economia Portuguesa (Inverno 2009-10). No quadro a seguir, mostramos essas previsões:

 

 

2010

2011

Consumo Privado

1,1%

0,3%

Consumo Público

-0,7%

 - 0,2%

Investimento (FBCF)

-6,3%

0,3%

Exportação

3,6%

3,7%

Importação

0,2%

1,4%

PIB

0,4%

0,8%

 

Relativamente às previsões anteriores, refira-se um maior pessimismo do Banco de Portugal: O PIB (2009) baixa 0,3 pontos percentuais, por força de maior quebra no Investimento, pois o Consumo Privado e Exportação aumentam 0,4 e 1,9 pontos percentuais, respectivamente.

Julgamos que este quadro reflecte um pouco melhor a previsível evolução económica, embora possa ser objecto de revisão face às alterações recentes das condições de enquadramento da Economia Portuguesa. Na Europa, desde o início do ano que as economias mais frágeis da Zona Euro - com elevados Défices Públicos, e Dívida Pública e Privada - estão sob pressão dos mercados financeiros. As taxas de juro a que se financiam subiram, quer no curto-prazo, quer no longo - prazo. A situação mais delicada, a da Grécia, teve já uma resposta da UE – Zona Euro, com a concessão de um apoio financeiro a 3 anos no valor de 130.000 milhões de Dólares, repartidos pela UE -Zona Euro e FMI. Para os restantes países (Portugal, Espanha, Itália e Irlanda) foi criado, muito recentemente, um Fundo Europeu no valor de 750.000 milhões de Euros, para concessão de empréstimos/garantias de empréstimos ao financiamento da Dívida Pública daqueles países. A participação neste Fundo é da UE (2/3) e do FMI (1/3). A criação deste Fundo vem acompanhada de fortes contrapartidas no domínio fiscal, com vista à redução dos Défices Públicos a 3% do PIB em 2013.

 

No que respeita a Portugal haverá uma revisão do PEC no sentido de um agravamento das medidas nele previstas, e, ainda que as medidas ainda não estejam totalmente concretizadas, espera-se redução significativa na Despesa Pública – Corrente e de Investimento - tendo já sido anunciada a suspensão/adiamento de Despesa Pública futura (Investimento em Vias de Comunicação). Esperam-se também aumentos de Impostos (IVA, IRS e IRC). Anunciam-se por outro lado cortes nas remunerações de Políticos, Autarcas, Gestores Públicos e Reguladores.

 

Resumindo: todas estas medidas contribuirão para uma redução da Procura (Consumo Privado + Consumo e Investimento Público), e afectarão negativamente o crescimento do PIB. E a questão está em saber se o efeito positivo nas Finanças Públicas e inerente aumento da credibilidade do País no contexto europeu e internacional compensará o fraco crescimento económico que se antevê para o próximo triénio.

 

  1. Conjuntura Internacional

 

Previsões de evolução económica (PIB) para 2010 e 2011, principais Áreas Económicas e Países:

 

Áreas Económicas/Países

2010

2011

E. U. América

3,1%

2,8%

U E – Zona Euro

1,1%

1,5%

Alemanha

1,6%

1,7%

Espanha

    - 0,4%

0,9%

Portugal

0,4%

0,8%

China

9,9%

8,1%

 

Fontes: The Economist – Maio de 2010; Banco de Portugal Primavera 2010

 

As perspectivas continuam positivas para a Ásia e Estados Unidos da América. Na Europa, a imperiosa necessidade de corrigir Défices e Dívida Pública para evitar a penalização pelos mercados financeiros, conduz a crescimento económico inferior. Note-se no entanto que estas previsões, no que respeita à Europa, ainda não incluem eventuais efeitos negativos das medidas fiscais restritivas que os Estados Europeus em situação financeira mais difícil terão de implementar.

 

Allegro de Magalhães

ANIMEE